Insônia - entenda
Qual a principal causa? Qual especialidade médica consultar? E o histórico familiar? Como é o tratamento? Medicamentos?
Esse texto está um pouco técnico, porém tenho percebido que apesar de mais difícil, a explicação é mais completa, objetiva e esclarecedora.
1. - O DSM (livro médico de medicina) define a insônia em primária e secundária, sendo o problema principal ou causado por outras doenças. No caso da primária, o que causa o transtorno?
1. A insônia pode ser classificada quanto à duração e quanto à etiologia. Quanto à duração, pode ser aguda ou crônica, sendo aguda aquela com durabilidade inferior a três meses, também chamada de insônia transitória ou de ajustamento.1 De acordo com o DSM-V, a insônia conhecida anteriormente como crônica primária passou a ser denominada de transtorno da insônia.
Existem vários fatores relacionados à gênese da insônia, mas o estado de hiperdespertar ou hipervigília parece possuir um papel central. Esse estado pode estar condicionado a um estímulo diretamente relacionado ao sono ou estar presente ao longo do dia.
Particularmente, gosto muito do modelo de Spielmann, em que identificamos fatores predisponentes, precipitantes e perpetuantes.
Fatores predisponentes são aqueles que criam as condições para o surgimento da insônia, podemos citar o estado de hiperalerta, ciclo sono-vigília irregular, história prévia de insônia, algum familiar com insônia e o último, sexo feminino.
Fatores precipitantes são fatores psicológicos ou estressantes, como adoecimento de um ente querido ou um compromisso importante, desemprego, violência. Observamos que insones apresentam uma maior reatividade a estressores psicossociais.
E por fim, os fatores perpetuadores, que prolongam e perduram a insônia instalada, citamos a higiene do sono inadequada, uso de substâncias como café, álcool e até medicações. Logo, a causa é multifatorial.
2. - Como um paciente que tem os sintomas de insônia deve proceder? Qual a especialidade médica que ele deve ir?
2. Devido alta presença da insônia na população geral, o ideal seria que os pacientes não dependessem dos grandes centros e especialistas para um bom tratamento, porém a a insônia é um transtorno complexo e frequentemente exige ação do médico do sono, que pode ter sua formação primária em pneumologia, psiquiatria, otorrinolaringologia, pediatria e neurologia. Necessitando do especialista, é interessante pesquisar se a formação do médico envolve sono e vai de encontro à insônia.
3. - A insônia pode desencadear algum distúrbio ou doença?
3. A insônia pode sim ser causa e desencadear outros transtornos, como depressão, transtorno de ansiedade, dificuldades de percepção, memória, juízo e raciocínio. Além disso, existe relação entre insônia e doenças vasculares como AVC, infarto do miocárdio, obesidade e diabetes.
4. - Histórico familiar ou genético pode contribuir para insônia?
4. Sim, o sexo feminino, história familiar de insônia. Não foi identificado no ser humano nenhum gene causador do transtorno de insônia.
5. - Como é realizado o tratamento da insônia crônica? Muda conforme o paciente, ou é igual entre eles? É necessário o exame de polissonografia nestes casos? Há outros exames realizados?
O diagnóstico da insônia deve ser realizado principalmente pela avaliação clínica. O médico faz anamnese e história clínica do paciente, indagando sobre as características, queixas e concernes relacionados ao sono. A polissonografia não é obrigatória, porém é importante porque apresenta dados que auxiliam no diagnóstico correto, principalmente avaliando-se distúrbios respiratórios, comportamentos anormais, movimentos de membros, resposta a tratamento.
Questionários de insônia e o diário de sono são ferramentas importantes, assim como a actigrafia, que mede a atividade do organismo durante o dia e a noite.
6. 6. - Medicamentos podem ser usados? E se uma pessoa se automedicar, sem consultar um médico, quais as complicações são causadas?
O tratamento pode ser farmacológico ou não farmacológico, a depender da gravidade, causa e tipo de insônia.
No tratamento farmacológico, iremos atuar na atividade dos neurônios e neurotransmissores, usando medicações hipnóticas, que causam sono. Sempre evitamos remédios que causem dependência ou tolerância, visando a menor dose que controla o sono e com mínimos efeitos colaterais. Voltando à sua pergunta inicial, acredito que nesse ponto é importante o especialista, pois o manejo dessas medicações é complexo.
No tratamento não farmacológico, que resolve boa parte dos problemas, ganha destaque a higiene do sono. A higiene do sono é um conjunto de hábitos saudáveis que favorecem o sono natural, podemos deixar de dica aqui pois servem para qualquer pessoa que deseje manter a insônia longe:
evitar o uso de substâncias estimulantes próximas ao horário de dormir, como a ingestão de cafeína; não consumir bebidas alcoólicas, já que estas podem causar fragmentação do sono, sono não reparador, além de desenvolver o risco de dependência; praticar exercícios físicos regularmente, porém somente até três horas antes do horário de dormir, levando-se em conta o aumento da temperatura corporal; evitar barulho, luz excessiva e temperaturas elevadas no ambiente de dormir; garantir conforto da cama e do ambiente; evitar comer em excesso antes de deitar-se. Essa é a “automedicação” saudável.
Nunca tome medicamentos para dormir sem prescrição médica, esses remédios precisam ser bem indicados para garantir boa saúde a longo. As vezes a pessoa começa a tomar um remedinho pra dormir, uma gota ou meio comprimido, e quando percebe não consegue mais dormir sem ele e tem ainda que aumentar a dose. Sempre procure ajuda médica.
7. 7. - E quanto tempo leva em média no tratamento para resolver a insônia?
O tempo de tratamento depende diretamente do tipo da insônia, da causa e da aderência do paciente ao tratamento. Auxílio de psicólogos é importante e pode encurtar o tempo de tratamento. Já tratei casos em que obtivemos resolução da insônia em 1 semana e outros mais difíceis que se seguem por anos. Não tem receita de bolo, procuramos individualizar a terapia sempre.