1-   O horário de verão pode trazer prejuízos ao sono?

                Sim. Quando o horário de verão começa, adiantamos o relógio em 1 hora, ou seja, perdemos essa hora de sono. Essa mudança brusca é estranha ao chamado ritmo circadiano, nosso relógio biológico. Acordamos mais sonolentos, com atenção e concentração reduzidas, facilitando ocorrência de acidentes de carro e atropelamentos. Estudos internacionais mostram aumento de tentativas de suicídio, infarto do miocárdio e acidente vascular encefálico. Também observamos mudanças de comportamento, como pior desempenho escolar nas crianças. Ao fim do horário de verão, imaginamos que ganharemos 1 hora de sono, porém raramente isso acontece. As pessoas já estão acostumadas a dormir no horário antigo e acabam ficando acordadas até mais tarde ao invés de ficar mais tempo na cama na manhã seguinte.

                Em relação ao resto do mundo, somos uma exceção. Quase todos os países que adotam o horário de verão estão localizados acima da linha do Equador, onde o atrasar de relógios realmente reflete economia de energia. E não é todo mundo também que adota essa mudança, ela está presente em 70% das nações.

2-   De que maneira é possível minimizar esses prejuízos causados ao sono na hora de adiantar e atrasar o relógio?

                O corpo humano leva de 1 a 2 semanas para se adaptar ao novo horário. O ideal é, na semana que precede o horário de verão, a pessoa dormir cada dia um pouco mais cedo. Devemos nos deitar cada dia 10 a 15 minutos mais cedo, dormindo no sábado ou domingo 1 hora mais cedo do que o habitual. Quanto ao término do horário de verão, por vivermos em uma sociedade privada de sono, geralmente não temos muitos problemas com essa “hora a mais”.

3-   Quanto tempo o organismo demora para se adaptar à mudança? 

         Em média de 1 a 2 semanas. O que pode acontecer é essa mudança de horário acentuar distúrbios do sono já presentes. Caso uma pessoa demore mais tempo para se adequar, é interessante investigar se existe algum transtorno do sono com médico do sono, como distúrbio do ritmo circadiano ou inadequação do cronotipo.

4-   Dormir ouvindo música pode prejudicar a qualidade do sono? A música pode ajudar a pegar no sono com mais facilidade? Pode fazer uma pessoa acordar durante a finalização ou início de um novo ciclo do sono?

         A música melhora o sono principalmente em portadores de insônia. Ouvir música calma, chamada música sedativa, diminui a adrenalina e libera ocitocina, nos deixando mais relaxados e esvaziando a mente de pensamentos intrusivos, melhorando a qualidade do sono. A música também é benéfica para o sono em pacientes internados em enfermarias, unidades de terapia intensiva, portadores de fibromialgia, bebês prematuros, transtornos de ansiedade e desordens neurológicas, como epilepsia.

- Dormir ouvindo música pode prejudicar a qualidade do sono?

Apesar de dormindo, nosso cérebro continua ativo e suscetível a estímulos externos, então o som deve ser relaxante e sem mudanças bruscas no ritmo ou volume, para não causar efeito contrário e acabar nos acordando. Uma música mais calma, instrumental faz muito bem perto da hora de dormir.