Insônia em idosos
Os problemas que os distúrbios do sono geram são realmente diversos. A insônia em idosos, de maneira mais específica, vem sendo objeto de estudo frequente. Afinal, por tratar-se de alguém com idade mais avançada geralmente nossos pais ou avós, é natural perguntar se é algo normal e se deve ou não ser ignorado.
A grande verdade é que a muitos idosos apontam alguma perturbação durante o sono, reclamando da demora em adormecer ou pelo fato de ficarem a noite toda acordados, alguns com sono bem mais leve que o normal.
Visando a preparação para o futuro e o auxílio das pessoas da terceira idade em nosso meio de vida, preparei este artigo para desmistificar algumas coisas e dar algumas dicas referente a este impacto da insônia.
Existe insônia em idosos?
Conforme já dito em outros artigos, a necessidade diária de sono tende a diminuir conforme o passar do tempo. Quer um exemplo mais prático? Basta pegar os bebês: eles podem chegar até 20 horas de sono por dia. Já nós, os adultos, precisamos de 7,5 horas para recuperar nossas energias. Claro que esse número de horas é variável para cada pessoa, alguns precisam de mais, outros menos. Não existe um valor fixo! Essa mudança acontece naturalmente conforme nosso cérebro se desenvolve e amadurece. Temos mais sono REM quando bebês e crianças, por exemplo.
Veja na figura. No nascimento (Birth, em português) temos muito sono REM (laranja) e Não-REM (NREM, lilás) chegando a maior parte do dia dormindo! Com o passar do tempo, vemos que a faixa laranja diminui, a lilás aumenta e o tempo acordado (Awake) também. Ou seja, a necessidade de horas de sono diminui com o passar da idade. Idosos precisam de menos sono do que os mais novos. Aí estão envolvidos vários hormônios e substâncias produzidas pelo sistema nervoso.

O hormônio do sono, melatonina, se estabiliza no cérebro e hipotálamo com o avanço da idade. Em bebês recém nascidos, existe ainda o efeito residual da melatonina da mãe por algumas semanas.
Comparativamente falando, uma pessoa de 60 anos possui aproximadamente metade da melatonina de alguém que esteja entre 19 e 20 anos de idade. Acima dos 60, é provável que os níveis sejam ainda mais baixos, apesar de haverem poucas pesquisas conclusivas sobre o assunto. Dosar a melatonina ainda é muito caro, estando restrito a protocolos de pesquisa.
Além da redução natural das horas que o indivíduo na terceira idade possui, existe também o avanço de fase do sono, sendo um adiantamento direto no relógio biológico. É exatamente isso que vai explicar o fato do seu pai ou avô, por exemplo, dormir no início da noite e acordar bastante cedo. É importante ter cuidado nesta fase, tratando-se de algo natural e que não deve ser tratado como insônia.
Por que acontece a insônia em idosos e como podemos ajudar?
Bom, é importante falarmos dos distúrbios do sono como um todo. Tais problemas podem atingir tanto idosos como pessoas mais novas, mas sempre considerando que sua incidência é mais comum na terceira idade, especialmente falando de pessoas que estão acima de 65 anos de idade. Tudo isso é possível graças a doenças crônicas, acompanhados do uso de medicamentos. Frequentemente nas consultas preciso trocar os horários de medicamentos que pacientes tomam. As vezes isso já resolve o problema.
A consequência de uma noite mal dormida pelo idoso pode ser sentida durante o dia. Sintomas podem ser irritação além do normal, diminuição do seu desempenho diário, alteração de memória e concentração. Alguns idosos passam a urinar 3, 4, 5 vezes por noite, acreditando piamente que tudo isso se deve somente a alterações na próstata...
Para você conseguir ajudar uma pessoa de terceira idade, entenda que ela é única e merece cuidados sempre específicos. O envelhecimento do organismo acarreta mudanças que diferem dos mais jovens, portanto medicamentos e exames devem ser interpretados de forma diferente. Imaginar que é tudo igual é a chave para o fracasso. Aconselhar ou levar o idoso(a) para um especialista do sono deveria ser a primeira opção, garantindo que os distúrbios sejam tratados de maneira eficaz e consistentes. Muitas pessoas não têm acesso a profissionais especializados. Por isso escrevo esses textos e gravo vídeos, objetivando disseminar informações.
A troca de hábitos diários, como a alimentação, também é uma importante aliada na hora de garantir um sono melhor para o idoso. O consumo de frutas, como a banana, pode ser importante para produção de serotonina em nosso corpo.
Outro alimento importante para entrar na lista de indicação alimentar é a farinha de aveia que, graças a sua fonte de triptofano, estimula a liberação de insulina e substâncias químicas cerebrais que induzem o sono natural.
Finalizando, é comum o idoso dormir menos que o resto da família. Deitar um pouco mais tarde pode permitir que ele acorde também mais tarde, sentindo-se mais ajustado aos demais. Não espere um idoso dormindo mais que oito horas por noite, se isso acontecer, doenças devem ser pesquisadas, como demência, medicamentos, hipotireoidismo, depressão, insuficiência cardíaca e renal.